Literatura teve papel importante na conquista da Independência

Falando à imprensa, na União Nacional dos Escritores Angolanos (UEA), à margem da habitual “Maka à quarta-feira”, Cornélio Caley lembrou que, naquela altura, com Salazar no poder político português, o espírito de produzir textos literários no país não tinha espaço, acrescentando que essa situação obrigou alguns intelectuais a reunirem-se, clandestinamente, para criarem ideias que despertassem os angolanos.
O historiador, que dissertou sobre “A literatura e os seus efeitos do 4 de Fevereiro à Independência”, disse que “sem espaços para produzir textos, houve a necessidade de fazer recolha das tradições nos quintais, nos quais se chorava o ontem e, ao mesmo tempo, os jovens recitavam alguns poemas”.
“Quando dançavam, as canções recordavam os sofrimentos que viviam”, referiu o historiador, que avançou que “nas décadas de 1930 e 1940 a literatura, apesar de ser quase toda oral, era mais persistente”.
Contou que, no fim da Se-gunda Guerra Mundial, quando o mundo desperta, sobretudo África, Angola também o fez, com ensinamentos de figuras emblemáticas como Agostinho Neto, Mário Pinto de Andra-de, António Jacinto, Viriato da Cruz e Mário António, que lançaram o projecto “Vamos Descobrir Angola”.
O projecto, presseguiu, tinha o objectivo de encontrar a realidade dos antepassados e colocá-lo no papel, a fim de despertar o angolano para consciência do nacionalismo, nascendo, assim, a literatura moderna em Angola.
Essa literatura , disse, forjou-se, principalmente, na Casa de Estudantes do Império, em Portugal, mas também entre nós, nas tertúlias, associações e publicações, como a revista “Mensagem”, que “surgiram no momento decisivo da vida dos angolanos”.
Cornélio Caley afirmou que, “essa literatura desembocou, necessariamente, na política por reivindicar “direitos de cidadãos que merecem a liberdade”, de que são exemplos prosas e poemas de Agostinho Neto, Viriato da Cruz e outros autores de clássicos da literatura nacional com “linhas políticas para serem lidas nas entrelinhas a alertar que precisávamos “de ser nós mesmos”.
De acordo com o antigo secretário de Estado da Cultura, em qualquer país, “a literatura tem o papel de consciencialização e o nacionalismo teve-a sempre como base”. “Se pudesse citar países, aquilo que chamamos Nação tem como base, ou como bandeira, o livro e o escritor, o que significa que o escritor tem um papel importante na sociedade”, disse.
O embaixador da Venezuela, Marlon Labrador, que dissertou sobre “O 4 de Fevereiro na História da Venezuela; Um Olhar no Processo Boliviano”, revelou que conheceu Agostinho Neto, através dos livros.
Adiantou que a luta armada de libertação nacional que levou à independência de Angola foi semelhante à da Venezuela, “a única diferença que existe são as datas”.

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