Autoridades Tradicionais

REINO DOS MUMBUINS

SOBERANO DO AMBOIM

      LEMOS FORTUNA GERÓNIMO – ÑGANA – ALUNGA IX       AUTORIDADE MÁXIMA TRADICIONAL DO AMBOIM

Considerando o papel sócio-cultural das autoridades tradicionais nas comunidades angolanas.

Considerando que a sua existência é secular (ancestrais), o direito consuetudinário, traduzido nos nossos usos costumes e tradições que regem as relações sociais, económicas e políticas de cada comunidade tradicional, entendemos que essa classe deve merecer de todos nós o devido respeito.

É ponto assente que foram os sobas que em primeira instância confrontaram a ocupação colonial.

A inexistência de meios auxiliado com as traições, enfraqueceu a competência de vários sobas (Reis) na defesa do seu território.

Muitos foram dizimados pelos colonizadores citamos : (heróis da resistência) nos dias de hoje alguns são lembrados e outros estão no anonimato resultante da falta de investigação histórica.

Considerando o interesse dos colonizadores, depois de exterminados angolanos (sobas) que se opunham a colonização, criaram a lei do indígena para melhor reinar.

De seguida, criaram os conselhos institucionalizando as figuras de regedorias e milícias negros como órgão de repressão nos bairros, Por quanto, os territórios tradicionais tinham as suas fronteiras limitadas por queimadas com base nos usos e costumes das respectivas regiões, Ver o boletim informativo do suplemento colonial de 1973 (sobre os conselhos municipais).

Porém com a conquista da nossa independência em 1975,apesar de não ser o desejável, viu-se uma luz no fundo do túnel, na perspectiva de se resgatar a classe (sobas) com maior pendor na criação das comités de acção, factor que deu origem a que muitos destes lideres hoje em dia assumissem o papel de autoridade tradicional, o que contrasta com o regime costumeiro.

O Amboim, como sempre no contexto pátrio Angolano, sempre lutou para preservar a sua cultura consolidando assim a sua identidade.

Dizer que os filhos desta parte do território Angolano verteram o seu sangue para não serem submetidos a colonização; realçar que desde 1888, com a chegada dos Primeiros colonos nesta terra segundo a nossa investigação que teve inicio em 1979, um dos filhos desta terra destacou-se na resistência contra a colonização que pela sua bravura, os colonos haviam apelidado como gentio da Tunda e depois como gentio da Sanga, porque não conheciam o seu real nome.

Estamos a citar o ÑGANA – ALUNGA. Que de tanto resistir, tal como referimos ,foi traído pelos seu colaboradores o que resultou na sua captura e morto pelos colonos que: (Tendo sido convidado para participar à um encontro para negociação e  ele convencido que assim seria, foi até a Administração sob proposta do então senhor Administrador, infelizmente foi traído, capturado, obrigando – o a cavar um buraco, junto ao local onde se ergue actualmente o prédio Toyota na Gabela e morto  no centro do jardim central da mesma cidade, tendo sido cravado um prego no centro da sua cabeça e arrastado o cadáver, até ao local onde ele próprio havia cavado um buraco.

 Fruto de um trabalho que iniciou em 1979, podemos encontrar indicações que deram dados que confirmam que o Cualunga é o maior santuário do Amboim, quiçá do Cuanza – Sul.

Os vestígios encontrados revelam sinais culturais tais como:

Túmulos, (sepulturas) sinais de pinturas rupestres e a espada conquistada, numa das batalhas contra os colonialistas. Actualmente é considerada como símbolo de resistência colonial neste território.

Desta investigação, podemos encontrar a verdadeira linhagem do soberano do Amboim, (Ñgana -Alunga).

Este trabalho precedido de encontros com as comunidades, mais velhos, sobas, séculos e autoridade da Administração Local do Estado, culminou com a investidura de um soberano no Amboim, no dia 14 de Setembro de 2019, testemunhado por centenas de pessoas e autoridades da Administração Local.

   No quadro da revitalização das autoridades tradicionais para consolidar a nossa identidade cultural, o soberano do Amboim, Lemos Fortuna Gerónimo (Ñgana–Alunga 9º), gizou um amplo programa de visitas de cortesia aos órgão da administração local   para se inteirar do seu funcionamento e de constatação às (Regedorias), com objectivo de diagnosticar e auscultar os mais velhos, sobas, e séculos das localidades, para se inteirar do funcionamento, bem como da prevalência das autoridades tradicionais e a sua fiabilidade, ali onde foram colocados.

Para o efeito, existem 8 regedorias que são: Nhuma, Calonga, Assango-B, Gonga, Honga, Capundi, Capanga e Cahana.

Realçar que o soberano do Amboim é a autoridade máxima do município, que tem a responsabilidade de identificar, controlar orientar a entronização, colocar, destituir, retirar, a todos os sobas e autoridades tradicionais no Município e na Região.

QUADRO GERAL ESTATÍSTICO DAS AUTORIDADES TRADICIONAL AO NÍVEL DAS REGEDORIAS NO (MUNICÍPIO)

DesignaçãoNº total de sobas existentesNº total de Bairros
Regedorias8
Regedores6
Regedores Adjuntos8
Sobas com Malombe68
Sobas sem Malombe95
Sobas Adjuntos com Malombe58
Sobas Adjuntos sem Malombe 97
Séculos 59
Total geral de sobas 389
210

OBS: existem (12) Doze Bairros que foram fundidos internamente pelas Regedorias totalizando 210.

O Município conta com um Sindicato denominado ASSAT, que atende alguns casos administrativos.

  • Proliferação de sobas:
  • Existência de sobas ali onde o regime tradicional não permite, sendo que o sobado será representado por um quilamba;
  • Regedorias com um elevado numero de bairros, outrossim numa extensão territorial imensa, o que dificulta o controlo eficaz dos regedores sobre a população;
  • Os (sobas) devem merecer o respeito devido tenham o maior e melhor controlo da sua áreas:
  • Que seja considerado soba aqueles que tem um acervo cultural (malombe)
  • Trabalha se na criação da divisão administrativa das regedorias, da Honga – Banza, Nhuma, Gonga e Cahana, criando as sub-regedorias, tendo em conta o número elevado de bairros, que as mesmas detém, mais de 20 bairros, surgindo assim – (da Regedoria da Gonga) a Sub- Regedoria da Zâmbia. (regedoria Honga surgir a sub-regedoria da Zúnzua e da regedoria Nhuma surgir a Sub-regedoria da Lapala.
  • Dos bairros do grupo B1 por não ter malombe, devem ser criadas comissões de moradores;
  • Que aqueles que exerciam actividades de soba sem malombe, sejam integrados nas comissões de moradores.
  • Os Bairros da Luz e Água e Comandante Gika, serão transferidos para a Regedoria da Cahana, tendo em conta a sua localização geográfica.
Corte do Soberano

CONSELHEIROS DO JANGO

1.Carlos graça  

 2.Alfredo graça                                                     

3.Leria  José                                                           

4.Monteiro Manuel                                                    

 5.Antonio da Silva Marcelino Chilonga

 6.Luis Tomás  António

 7.Carvalho Fançony                                                           

 8.Adriano  António  

 9.Jose Abraão

OBS: Por inerência de funções todos Regedores são Conselheiros da Embala

Soberano e Soba Grande: Responsável máximo da autoridade tradicionais no Município;

Ñgana Caley: Tem a função de controlar a casa (zemba) do soba (este, na ausência do Gonga Mundumba pode receber a Onça (ongo) e outros animais afectos aos rituais do sobado);

Gonga Mundumba: Segundo homem do soba grande, é o conselheiro principal, e responsável pela recepção da caça da Onça (ongo) e outros animais afectos aos rituais do sobado, a Onça se for fêmea, se for macho e recebido pelo prprio Soba Grande;

Lunga: É o responsável pela segurança e o controlo do simbolo da cultura (a espada);

Seculo: É o responsável pelo malombe-sítio sagrado (local onde se encontra  dentes, crânios dos Sobas já falecidos);

Ñgana Ndengue: Responsável pela justiça;

Ñgana Etunda: É o responsável da fertilidade nas comunidades (aparecimento de mais filhos);

Sónzua: Controla a localidade na prevenção de animais ferozes e doenças;

Ñgana Etumano: Conselheiro fica permanentemente no jango;

ÑGANA ELENGULA: (conselheiro) é a Pessoa Responsavel para tocar o batuque de alerta quando o soba sai ou chega  e no seu regresso a Zemba ;

Emandas (Secretários) É constituído por duas pessoas, sendo um para informação e outro para o secretariado do sobado.